Você ainda sente? | Por: Daniela Tamara





(...)Saiba que eu daria tudo pra poder dizer.

Que o sofrimento que você causou me fez crescer.
Tem vezes que eu daria tudo pra retribuir.
Tudo que você fazia pra me destruir (..)
- Fresno – Infancia


 Essa foi uma música que marcou minha adolescência conturbada e cheia de crises psicológicas devido à relação desastrosa que eu tive/tenho com meu pai.

            E era em meio a esses refrãos que eu encontrava conforto pra lágrimas e soluços..
E sempre que eu me via nessa situação eu escrevia, sou dessas que tem diários com infinitos versos de desabafos e amores e ilusões. Agora que me encontro diante à missão de escrever algo aleatório e aparentemente fácil me fogem palavras, não há sentimento algum a descrever, não há mais histórias pra contar. Onde foi que eu perdi a inocência de fugir pra canetas e papeis? E pior, não foi só isso que eu perdi, quantas coisas pra mim eram tão importantes e hoje eu já nem me lembro de como é que faz? Quantas coisas eu deixei pra trás sem perceber e sem sentir falta. Como foi que eu amadureci tanto e tão naturalmente a ponto de esquecer como é que se arrepia tão sutilmente? Qual a parte de mim eu deixei de ser pra ser o que eu sou hoje?
            O que foi que você deixou há dez anos e só percebeu quando deu assim de cara com a coisa, esperando que você diga algo sobre ela? Quem você deixou de ser pra se tornar o que você é hoje? O que você arrastava aos trancos, barrancos e soluços e que hoje não sabe nem como lidar?
            Eu não costumo, mas gostaria de te dar um conselho; não se deixe perder a sensibilidade. Mas não aquela de sentir, aquela sensibilidade de ser, sabe? Deixe aquele/a adolescente ingênua te mostrar o que ela faria se você ainda fosse ela, não é perca de controle, é só que às vezes na vida a gente tem que ser o que a gente era pra entender o que a gente se tornou.
            Espero que vocês tenham tido sensibilidade pra compreender esse breve texto. Fiquem na paz.

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