Inegável, nossa beleza | Miss Brasil 2016 | Ana Golveia





Em 1954, o concurso de Miss Brasil trouxe a proposta de eleger:"a mulher mais bonita do Brasil, que simbolize e retrate a mulher brasileira atual". Desde então é inegável que, mulheres belas e deslumbrantes foram coroadas e consagradas Misses, porém, inegável também é que, a representatividade da mulher (real) brasileira não é posta em prática na competição.
Somos um país de misturas, povos, formas e cores diferentes, ainda assim, até o MB 2016, apenas 1 negra havia ganho a coroa, em 1986. Será então que a bela mulher que carrega a coroa nos representa?
Entre os pré requisitos do concurso estão: ter entre 18 e 26 anos; ter medidas próximas de 90cm de quadril, 60cm de cintura e 90cm de busto; e a altura mínima é 1,68. Dito isto, segundo o IBGE, a altura média da brasileira nessa faixa etária é 1,61; 48% da população feminina com 20 anos ou mais está com excesso de peso e 16,9% está obesa. Então analisando os dados, vemos que a mulher que desfila, não é, ainda, a representação da que assiste.
Mas nem só de críticas vive o concurso, pois se as curvas ainda não ganharam seu espaço, as cores alegraram o palco do MB 2016. Dentre as candidatas desse ano, 6 belas negras concorreram ao título, e Raissa Santana, a belíssima negra representante do Paraná, quebrou o jejum de 30 anos e foi coroada Miss Brasil.
Raissa teve grande apoio do público, desde o começo era uma das favoritas, mas foi nos 30 segundos que ganhou para discursar que mostrou a que veio, com atitudo e muito #girlpower.
Outro momento #empoderador, foi o desfile de biquíni com as 10 finalistas, não só pela beleza estonteante das meninas, mas pela canção entoada pela jurada Paula Lima que diz:
"Se o batom é forte
Se eu tenho porte
Se eu tenho dote
Se eu uso short
Se comporte, isso não é com você
Mas se chegar com jeito 
Falando direito
Mantendo respeito
Sobe no conceito"
Esse "hino" do respeito à mulher, veio somar forças, ao discurso que vem ganhando vida nos últimos anos no Brasil.
Entre erros e acertos, inegável mesmo é que, este ano, nossa pluralidade foi muito mais representada que em edições anteriores, e no próximo ano, será ainda melhor. Este ano a beleza negra ganhou seu espaço mais que justo no concurso, o empoderamento também ganhou sua voz, e a luta continua, temos padrões para quebrar, esteriótipos a vencer, e que em 2017 haja mais curvas, mais cores, mais samba, porque a beleza é inegável que temos, que somos, em todos os tamanhos, formas, cores, a mulher brasileira traz a beleza na alma e na luta, por um amanhã melhor.

Miss Brasil 2016 - Raissa Santana





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